Road movie católico, por Paulo Camargo

Imprensa – Curitiba Zero Grau
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Gazeta do Povo | fim de semana | Publicado em 25/04/2008 | Paulo Camargo

O ótimo desempenho de Edson Rocha é destaque no filme paranaense O Sal da Terra, de Elói Pires Ferreira


O sutil, tocante e convincente trabalho do ator Edson Rocha no papel do padre Miguel, protagonista do longa-metragem paranaense O Sal da Terra, que estréia hoje em Curitiba, é um dos motivos pelos quais vale a pena conferir o filme. Integrante da Pastoral Rodoviária – a mesma do padre “voador” Aderli Carli, de Paranaguá –, o religioso, em busca de novos desafios, assume o papel de ca-minhoneiro para levar o Evangelho aos homens e mulheres estradeiros do país.

Construído como as partes integrantes de uma missa, O Sal da Terra marca a estréia em longa do cineasta Elói Pires Ferreira, diretor de curtas-metragens como Polaco da Nhanha e Valdir e Rute. Road movie católico, o filme tem seus melhores momentos quando explora a solidão de Miguel, cuja missão de transportar fé e conforto a quem precisa lhe custa caro. Mas o padre se dispõe, com coragem e resignação, a pagar o preço.

 / Edson Rocha e Enéas Lour: cumplicidade e companheirismo nas estradas do Paraná Ampliar imagem

Edson Rocha e Enéas Lour: cumplicidade e companheirismo nas estradas do Paraná

O desempenho de Edson Rocha, que não peca por exageros, consegue alcançar verossimilhança tanto quando o personagem age em nome de sua crença quanto nos momentos nos quais sua porção mais humana vem à tona – é interessante o momento no qual o padre observa uma mulher, através da janela de seu caminhão-capela, com um misto de desejo e aceitação conformada dos limites que sua opção pela castidade lhe impõe.

Rodado inteiramente no Paraná, O Sal da Terra tem outros paranaenses no elenco. Enéas Lour, em boa forma, vive Romeu, um outro caminhoneiro, com quem Miguel mantém uma relação de cumplicidade e companheirismo. Christiane Macedo vive a esposa do motorista e Luthero Almeida encarna um personagem enigmático: um andarilho cujos caminhos cruzam com os de Miguel e Romeu.

Embora a trama por vezes apenas sugira conflitos internos do protagonista, que o filme não consegue explorar com maior complexidade, e alguns diálogos sofram de uma certa artificialidade, como na conversa entre Miguel e um menino engraxate, O Sal da Terra é um trabalho digno e por vezes tocante de Pires Ferreira. GGG

Sobre Marcos Cordiolli
Marcos Cordiolli é graduado em História (UFPr, 1988) e mestre em Educação: história e filosofia da educação (PUC-SP, 1997). É professor universitário de graduação (desde 1994), de especialização latu senso (em mais 20 IES); de mestrado (em uma IES); atua na qualificação docente (desde 1994 e prestou serviços para mais 50 redes públicas e dezenas de escolas particulares em 18 estados); É consultor em gestão do trabalho pedagógico e proposições curriculares na Educação Básica (com serviços prestados para dezenas de instituições) e Superior (com trabalhos prestados para mais de 20 IES); É palestrante e conferencista (atuou em mais 300 eventos); consultor técnico de publicações didáticas (prestou serviços para mais de uma dezena de editoras) e de sistemas de ensino (prestou serviços para a maioria dos grandes empresas do país); É consultor pedagógico na área de Educação Corporativa (prestou serviços para empresas na área de refino de petróleo e montadoras automotivas). Publicou artigos, livros e materiais didáticos (na área de informática e história e geografia para Ensino Fundamental e médio). É cineasta. Produtor Associado do filme O Sal da Terra (Brasil, 2008) de Eloi Pires Ferreira. Diretor de Produção (com Elói Pires Ferreira) de Conexão Japão (Brasil, 2008) de Talício Sirino. Produtor Executivo de Curitiba Zero Grau (Tigre Filmes e Labo), Brichos: a floresta é nossa (Tecnokena) ainda em produção. Trabalhou como consultor técnico na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados (2010). É assessor da diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Contato com a Autor email: marcos.cordiolli@gmail.com fone: 55 (41) 9962 5010 home page: cordiolli.wordpress.com twitter: twitter.com/marcoscordiolli facebook: marcos cordiolli

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