“O Sal da Terra” leva sotaque paranaense para as telas do cinema
10/02/2008 Deixe um comentário
Imprensa – O Sal da Terra
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Logo nos primeiros minutos de “O Sal da Terra”, um dos dois sobreviventes da Semana do Cinema Nacional a permanecerem em cartaz em Maringá (o outro é o bossa-novístico “Os Desafinados”), os cenários que aparecem na tela se tornam familiares para quem costuma viajar pelo Paraná.
O filme pode ser visto na sala três, do Cinesystem, no Shopping Cidade. São duas sessões: às 15h20 e Pas 19h40.
“O Sal da Terra” é um road-movie por excelência e foi rodado basicamente no Paraná. No máximo, ultrapassou alguns quilômetros na fronteira com São Paulo.
A maior parte do filme acompanha as viagens de Padre Miguel (Édson Rocha), um padre integra a pastoral rodoviária e passa a vida na estrada morando e celebrando missas na carroceria de um caminhão.
Apesar de ser centrado na história do padre, não é um filme proselitista ou religioso. Traz diversas aventuras de quem vive diariamente as estradas.
¿São pequenas crônicas somadas e que conduzem e preparam para o encontro dos três personagens centrais: o padre, o caminhoneiro e o andarilho, que sintetizam o filme e nossa caminhada¿, diz o diretor Elói Pires Ferreira.
Durante ¿O Sal da Terra¿, é interessante reparar que o sotaque nordestino, paulista ou carioca, tão comuns na televisão ou no cinema, são substituídos pelo paranaense, com destaque para o curitibano Rocha. A grande maioria do elenco do filme é formada por atores do Paraná.
“Não me interessa se o ator é mais ou menos famoso, mas sim a qualidade do elenco. Temos no Paraná pessoas muito talentosas e uma formação teatral consistente”, alega Pires Ferreira.
Apesar da qualidade técnica e estética de “O Sal da Terra”, a trajetória do filme se assemelha muito à do andarilho que percorre as estradas de forma lenta e solitária. O filme custou R$ 1,2 milhão, mas não teve recursos previstos para distribuição.
Mesmo assim, “O Sal da Terra” foi lançado em Curitiba no dia 25 de abril, em um momento ruim, porém, pois coincidia com o início da seqüência do lançamento dos grandes blockbusters norte-americanos.
“A finalização foi um processo difícil e eu não via a hora de lançar para o público”, explica Pires Ferreira.
Para a distribuição de ¿O Sal da Terra¿, o diretor criou uma pequena distribuidora com outros cineastas. O filme já foi exibido em Cascavel, Maringá e Curitiba, mas ainda com poucas cópias. São apenas cinco, quando o ideal seria, no mínimo, dez cópias do filme em 35 mm.
A partir deste mês, começam as negociações para lançar o filme em São Paulo e no Rio de Janeiro.
“A receptividade por parte de quem vê o filme é muito boa, mas muita gente não se dá a chance de ver o filme por falta de mídia e por achar que tem um caráter religioso pelo personagem principal ser um padre”, destaca.
“Apesar dos obstáculos, acreditamos nesse trabalho de formiguinha e temos esperança que, a partir do Rio e de São Paulo, o filme possa sair mais forte”.
O Sal da Terra¿ também deverá ser inscrito em diversos festivais nacionais e internacionais, um circuito que eles poderiam aproveitar para promover o filme, como aconteceu com “Estômago”, já exibido em Maringá.
Publicação Original: O Diário



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