O Sal da Terra, por Luiz Zanin

Crítica | O Sal da Terra
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Blog Cinema, cultura & afins | Luiz Zanin | O Estado de São Paulo | 19.março.2009

 Jornal O Estado de S. Paulo | Caderno 2 | 19/3/09
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Luiz Zanin
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Em O Sal da Terra, o diretor paranaense Eloi Pires Ferreira pretende fazer um filme religioso – talvez no sentido amplo do termo, apesar da referência católica ser a mais forte. É uma ideia em princípio boa, a do padre caminhoneiro e sua igreja ambulante, perambulando pelas estradas e levando conforto aos profissionais do volante.

As ações concentram-se em dois personagens, o padre Miguel (Edson Rocha) e o caminhoneiro Romeu (Enéas Lour). Cabe a Romeu encarnar os dramas da profissão – a ausência prolongada de casa, os perigos da estrada, as tentações do caminho, um perigo espreitando a cada curva. Miguel, ele próprio, vive um drama pessoal mas procura levar a palavra ao seu rebanho.

Tudo é apegado à realidade, pois de fato existe uma Pastoral Rodoviária, a vida dos caminhoneiros é aquela mesma e a estética segue o caminho realista. Um elemento intrigante, um andarilho, coloca nota dissonante nessa trama. E o todo é construído sob a forma ritual de uma missa. Essas propostas superpostas não parecem se articular muito bem.

Pelo menos é a impressão que se tem desse filme correto, mas que poderia ter ousado mais. Um padre mais tocado pelo desacerto do mundo e pelo desconcerto diante de si mesmo traria uma força que, aí sim, poderia ser iluminadora. Ambicionando voar pela transcendência, O Sal da Terra é apenas edificante e não chega a tirar os pés do chão.

(Caderno 2, 19/3/09)

Sobre Marcos Cordiolli
Marcos Cordiolli é graduado em História (UFPr, 1988) e mestre em Educação: história e filosofia da educação (PUC-SP, 1997). É professor universitário de graduação (desde 1994), de especialização latu senso (em mais 20 IES); de mestrado (em uma IES); atua na qualificação docente (desde 1994 e prestou serviços para mais 50 redes públicas e dezenas de escolas particulares em 18 estados); É consultor em gestão do trabalho pedagógico e proposições curriculares na Educação Básica (com serviços prestados para dezenas de instituições) e Superior (com trabalhos prestados para mais de 20 IES); É palestrante e conferencista (atuou em mais 300 eventos); consultor técnico de publicações didáticas (prestou serviços para mais de uma dezena de editoras) e de sistemas de ensino (prestou serviços para a maioria dos grandes empresas do país); É consultor pedagógico na área de Educação Corporativa (prestou serviços para empresas na área de refino de petróleo e montadoras automotivas). Publicou artigos, livros e materiais didáticos (na área de informática e história e geografia para Ensino Fundamental e médio). É cineasta. Produtor Associado do filme O Sal da Terra (Brasil, 2008) de Eloi Pires Ferreira. Diretor de Produção (com Elói Pires Ferreira) de Conexão Japão (Brasil, 2008) de Talício Sirino. Produtor Executivo de Curitiba Zero Grau (Tigre Filmes e Labo), Brichos: a floresta é nossa (Tecnokena) ainda em produção. Trabalhou como consultor técnico na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados (2010). É assessor da diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Contato com a Autor email: marcos.cordiolli@gmail.com fone: 55 (41) 9962 5010 home page: cordiolli.wordpress.com twitter: twitter.com/marcoscordiolli facebook: marcos cordiolli

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