Pesquisador aponta ausência de temas, como gênero e sexualidade, no Plano Nacional de Educação

“O Plano Nacional de Educação deixou de lado questões importantes, dentre elas a de gênero e sexualidade”. Isso é o que afirma Marcelo Daniliauskas, doutorando da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), sobre o Projeto de Lei que estabelece o Plano Nacional de Educação para os próximos dez anos (PNE 2011-2020).

Na visão dele, o Plano não contemplou todos os pontos das resoluções da Conferência Nacional de Educação (Conae). “Houve uma distância entre as resoluções da Conae e as propostas apresentadas”, considera, lembrando que, como a Conferência é um espaço de caráter democrático, suas resoluções também deveriam ser acatadas e colocadas no Plano de forma democrática.

“A sexualidade não tem nenhuma menção no Plano, apesar de ter sido aprovada na resolução da Conae com seção específica. A Conae possui caráter democrático, mas, na hora de transformar [as resoluções] em Plano, acaba gerando frustração porque [as resoluções] não foram devidamente acolhidas”, comenta.

O pesquisador da área de educação, políticas públicas e diversidade sexual espera que alguns pontos relacionados à sexualidade sejam abordados no Plano através de emendas. De acordo com ele, alguns deputados já apresentaram emendas ao projeto de lei para inserir questões referentes ao assunto, mas ainda precisam ser votadas. O Observatório da Educação dá conta de pelo menos 11 emendas que abordam gênero e sexualidade propostas por organizações sociais e parlamentares.

Um dos pontos centrais do Plano, a universalização do número de vagas no ensino é vista como um avanço por Daniliauskas. Nesse aspecto, ele acredita que, com a universalização, se passará a prestar mais atenção na exclusão.

Isso porque, na opinião dele, a universalização das vagas mostra “outros processos que influenciam no acesso e na continuação” dos estudos, como a questão de classe e de gênero e o racismo, por exemplo. “Já acompanhei casos de pessoas rejeitadas nas escolas porque suspeitavam da orientação sexual [diferente da heterossexual]”, relata, lembrando ainda casos de bullying, e agressões físicas e psicológicas por partes de alunos/as, professores/as e coordenadores/as.

Problema que, segundo Daniliauskas, não é enfrentado apenas por parte do corpo discente. Professores/as e funcionários/as LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) também são alvos de discriminação tanto por parte dos/as colegas de trabalho quanto por parte de alunos/as. “Essa questão também afeta professores/as LGBT, que sofrem discriminação, piadinhas, desqualificação. A pessoa, por causa da sua orientação sexual, tem sua opinião desvalorizada, desqualificada”, observa.

Para ele, é importante trabalhar nas escolas temas que circulam na sociedade, como discriminação sexual e de classe, racismo, entre outros. Ele lembra ainda que a escola também deve focar a “cidadania e o pleno desenvolvimento da pessoa humana” e, por isso, precisa debater e discutir temas relacionados com isso, como, por exemplo, como lidar com a diferença.

“Por que não discutir a diversidade sexual nas escolas? O debate precisa estar nas escolas, não só a sexualidade, mas também a questão do racismo, da discriminação de classe… assuntos que circulam em setores da sociedade. A escola tem que qualificar o debate e não se ausentar”, destaca.

Fonte: Adital

Publicação Original: Portal Onda Jovem em 03/08/2011

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Sobre Marcos Cordiolli
Marcos Cordiolli é graduado em História (UFPr, 1988) e mestre em Educação: história e filosofia da educação (PUC-SP, 1997). É professor universitário de graduação (desde 1994), de especialização latu senso (em mais 20 IES); de mestrado (em uma IES); atua na qualificação docente (desde 1994 e prestou serviços para mais 50 redes públicas e dezenas de escolas particulares em 18 estados); É consultor em gestão do trabalho pedagógico e proposições curriculares na Educação Básica (com serviços prestados para dezenas de instituições) e Superior (com trabalhos prestados para mais de 20 IES); É palestrante e conferencista (atuou em mais 300 eventos); consultor técnico de publicações didáticas (prestou serviços para mais de uma dezena de editoras) e de sistemas de ensino (prestou serviços para a maioria dos grandes empresas do país); É consultor pedagógico na área de Educação Corporativa (prestou serviços para empresas na área de refino de petróleo e montadoras automotivas). Publicou artigos, livros e materiais didáticos (na área de informática e história e geografia para Ensino Fundamental e médio). É cineasta. Produtor Associado do filme O Sal da Terra (Brasil, 2008) de Eloi Pires Ferreira. Diretor de Produção (com Elói Pires Ferreira) de Conexão Japão (Brasil, 2008) de Talício Sirino. Produtor Executivo de Curitiba Zero Grau (Tigre Filmes e Labo), Brichos: a floresta é nossa (Tecnokena) ainda em produção. Trabalhou como consultor técnico na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados (2010). É assessor da diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Contato com a Autor email: marcos.cordiolli@gmail.com fone: 55 (41) 9962 5010 home page: cordiolli.wordpress.com twitter: twitter.com/marcoscordiolli facebook: marcos cordiolli

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