Blog Comentando Filmes

Este blog é o espaço de publicação das críticas, crônicas, ensaios e comentários sobre filmes. É também um ambiente de discussão sobre filmes e por isso autor aceita comentários e críticas.

As crônicas, a partir de agora, são publicadas inicialmente no Jornal Bahia Online. Depois de transcorrido o prazo de visibilidade serão republicadas neste blog.

Singularidades de uma rapariga loura: um diálogo impar entre literatura e cinema.

Por Marcos Cordiolli

“Singularidades de uma rapariga loura” é mais um curioso filme de Manoel de Oliveira, que utiliza uma diacronia incomum. Baseado em conto de Eça de Queiroz, narra a história de Macário, rapaz ao mesmo tempo hóspede e empregado de um velho tio, que um dia cai de amores por uma moça da vizinhança. Como não poderia deixar de ser, Macário e a moça se apaixonam, namoram e marcam casamento. Sem maiores explicações, porém, o tio se opõe à união e demite o sobrinho. Macário, firme no propósito de conseguir condições materiais para desposar a moça, parte para uma temporada na África e, no ritmo trágico dos contos de Eça, sofre novo revés financeiro.

A moça é paciente, o rapaz nem tanto. Como em todo bom conto, tem-se uma história que se desenrola explicitamente ao leitor (neste caso ao espectador) para ser surpreendido por um final inesperado, fruto de outra história que desvela nova trama invisível e cujas pistas estão dissimuladas ao longo da narrativa.

A diacronia. A sequência inicial é ambientada em um ônibus moderno com ar- condicionado, quando Macário inicia a narrativa de sua tragédia a uma companheira de viagem, que na obra literária original ocorre em uma carruagem. E aqui a famosa expressão presente ao pé da letra na obra literária e na cinematográfica: “O que não contas à tua mulher, o que não contas ao teu amigo, conta-o a um estranho”.

Os primeiros três quartos do filme são um exercício de diacronia em que tudo se parece com Portugal no período da obra escrita por Eça, publicada originalmente em 1874: a linguagem falada, os simbolismos do amor e as formas de trabalho. O discurso cinematográfico utiliza de recursos que seriam correspondentes na tela as características estéticas da literatura portuguesa do final do século XIX, com planos longos e estáticos, em particular deste conto que é recorrentemente reconhecido como de inauguração da literatura realista lusitana. A cenografia também reproduz os elementos de época como os figurinos, mobiliários, objetos e cenários. As ruas são de pessoas se reconhecem vivendo em comunidade. Os personagens correspondem ao final do século XIX e diretamente destacados da obra literária original. Mas nessa fase da narrativa são apresentadas referências a tempos posteriores, como a obra de Fernando Pessoa e ao governo do ditador Salazar.

Quando Macário finalmente consegue o seu intento – a benção do tio e as condições para casar com a moça – a narrativa volta ao século XXI. A cenografia e os figurinos são contemporâneos. A câmera ganha movimento. A cidade é preenchida pela multidão.

As particularidades geniais de um filme emblemático. O diacronismo de Manoel de Oliveira é um instrumento eficaz que pode remeter ao discurso romântico de Portugal, que vivia estável num passado e acorda na tragédia da União Européia. Pode também oferecer uma crítica neorrealista ao simbolismo dos temores e às chagas morais que se tornam invisíveis com o anonimato que a multidão urbana propicia. Então a beleza da amada, arquetipicamente universalizada na imagem de Julieta, pode esconder algo grave, como Buñuel o fez mais radicalmente em A Bela da Tarde.

Manoel de Oliveira se dá ao direito de fazer filmes ímpares. A longa seqüência de “Um filme Falado” em que personagens conversam em cinco línguas diferentes é um desses exemplos marcantes na obra deste português que já rompeu a barreira de cem anos e continua como um cineasta ativo. Ou então a peculiar estrutura narrativa de “Non, ou a Vã Glória de Mandar” na qual filosofia, história e identidade nacional portuguesa são “escovadas a contrapelo” em uma experiência cinematográfica peculiar.

Em “as singularidades…” os planos longos são notáveis. O primeiro é a seqüência em que o casal está na mesa de jogo, tendo ao fundo o recital de um poema de Fernando Pessoa. E que também esconde as chaves para o enigma que só será revelado no fim. O segundo é a seqüência da escada, em que os convidados são vistos pelas costas, num espelho, como se fossem uma moldura, e ao chegar parecem invadir o ambiente, pela proximidade da câmera com eles.

As louras de Eça e Oliveira. O conto de Eça de Queiroz é obra importante no realismo literário português e, simbolicamente, é do período em que a virtude das mulheres estava sob suspeição na contraditória sociedade portuguesa, que cultivava publicamente o moralismo conservador cristão, mas tolerava as pseudoclandestinas transgressões. É interessante que a chaga moral da Rapariga Loura não é sexual, mas de uma ordem psicológica mais complexa e afinada com as teorias de Freud, que já estavam sendo elaboradas, em Viena, mas ainda não publicadas.

Manoel de Oliveira mantém a mesma narrativa do conto de Eça. Usa alguns bons artifícios, como um poema de Pessoa e a já referida cena do espelho para mostrar o que os olhos não conseguem ver. E usa um recurso radical, o da diacronia, nas duas fases do filme para apresentar a chaga moral de Luiza como um problema atemporal. Uma sutil, porém imprescindível, diferença entre a literatura e o cinema, mesmo num momento memorável do dialogo entre ambos.

Sinopse: Numa viagem de comboio para o Algarve, Macário (Ricardo Trepa) conta as atribulações da sua vida amorosa a uma desconhecida senhora. Mal entra para o seu primeiro emprego, um lugar de contador no armazém em Lisboa do seu tio Francisco (Diogo Dória), apaixona-se perdidamente pela moça loira que vive na casa do outro lado da rua, Luísa Vilaça. Conhece-a e quer de imediato casar com ela. O tio discorda, despede-o e expulsa-o de casa. [Site Uol.com.br].

Trailer

Ficha Técnica: Nome: Singularidades de uma Rapariga Loura (Portugal, Espanha e França, 2009, 64 min). Direção: Manoel de Oliveira. Roteiro:Manoel de Oliveira sobre o texto original de Eça de Queiroz).  Baseado em um conto de Eça de Queirós “Singularidades de uma Rapariga Loura”.

Elenco: Ricardo Trêpa (Macário), Catarina Wallenstein (Luísa) e Diogo Dória (Francisco) com Júlia Buisel (D. Vilaça), Leonor Silveira (Senhora), Luis Miguel Cintra (Ele Mesmo), Glória De Matos (D. Sande), Filipe Vargas (Amigo), Rogério Samora (Chapéu De Palha), Miguel Guilherme (Faleiro), Rogério Vieira, Paulo Matos (Desconhecido), António Reis (Cónego Savedra) e Miguel Seabra (Notário).

Naufrágio, de Pedro Aguilera: uma missão em uma terra e um tempo de passagem

Por Marcos Cordiolli

Um jovem africano é encontrado em condições físicas muito debilitadas entre as salinas próximas ao mar, na costa da Espanha. É o momento de chegada de Robinson à Europa para vingar a morte do pai. O personagem é abertamente tributário à obra de Daniel Defoe, mas este Robinson moderno é diferente: deixa-se naufragar, e não procura “civilizar” os “sextas-feiras” nativos que o acolhem. Ele se comporta como um Odisseu que aposta na dissimulação e no silêncio para vencer os perigos de sua jornada.

Robinson, em sua trajetória, convive com duas comunidades. Uma é de negros francófonos, na área litorânea, que o acolhem e o ajudam numa clara disposição de solidariedade étnica – nada perguntam e nada cobram… A segunda comunidade é de espanhóis, no interior do país, com quem estabelece outras relações de acolhimento: o dono da pensão em que vive arruma-lhe emprego e leva-o para caçadas e para o bar, mas é um racista convicto que considera os negros inferiores e não tem o menor pudor em manifestar a sua opinião; Um colega de trabalho que toma-o como companheiro de baladas e até se dispõe a dividir com Robinson a sua bela namorada; O filho da dona da pensão, um jovem gay, amargurado com o padrasto e com a vida interiorana, e que tenta seduzi-lo. Mas não perguntam e nem cobram nada. Ele é mais um passageiro. Contrapartes da representação simbólica em relação ao migrante ilegal africano.

A família européia na sala de jantar. As sequências da sala de jantar são particularmente belas e importantes. Expressam que a diversidade não é apenas entre estabelecidos e migrantes, pois a família de espanhóis é formada também por estranhos entre si, que convivem juntos, mas não compartilham de relações de identidade.  O padrasto, a mãe e o filho têm como único ponto de contato a reunião diária para o jantar. Numa bela expressão das diferenças entre as pessoas que convivem sob mesmo teto, mas que não conseguem manter condições básicas de interação, além daquelas das necessidades da vida cotidiana.

O último jantar é apresentando com um enquadramento simbólico, com parte da sequência emoldurada pela janela, apresentando o quadro da “sagrada” família européia contemporânea. Mostra uma sociedade com duas medidas: [a] as relações de tolerância com o estrangeiro, mas com o racismo explicitado verbalmente; [b] as relações de intolerância entre os europeus, explicitado na violência simbólica e física do machismo do pai em relação a esposa e o enteado gay. Saiba mais

Incêndios: uma viagem pelo labirinto sombrio do passado

Incêndios: uma viagem pelo labirinto sombrio do passado

Por Marcos Cordiolli

Algumas pessoas escondem o seu passado em tentativas desesperadas para esquecê-lo. No entanto, em algum momento é preciso revirar o passado, mesmo depois que a vida termina. Em Incêndios (Incendies, Canadá, 2010, 130 min) uma mulher deixa para o casal de filhos, ambos de origem libanesa mas crescidos no Canadá, a incumbência firmada em testamento de encontrar o pai que julgavam morto, além de um terceiro irmão, do qual desconheciam a existência. A mãe ainda afirma que é portadora de uma grande desonra e que, por isso, deve ser enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Apenas quando o seu filho for reencontrado ela poderá superar a desonra e ganhar uma lápide sobre a sua sepultura. A filha assume a tarefa, ao passo que o rapaz a rejeita. A filha, estudante de Matemática Pura, abandona o mundo das idéias e parte para outro mundo, estranho, complexo e real. Inicia uma viagem no escuro, pelo Líbano atual, para revolver as feridas da guerra civil dos anos 1970 e encontrar o passado de sua mãe, que ela desconhece completamente.

“Incêndios” consegue manter a atenção do espectador narrando a história em dois períodos temporais distintos, ainda assim, cada um deles não-linear. O fio condutor desta história de Denis Villeneuve nos conduz a abruptas alterações de percurso. O filme é dividido em capítulos e a cada um deles impõe dinâmicas próprias, quase autônomas, um exemplo de roteiro bem construído e com propósitos bem definidos.

Imagens de dura forma poética. A história da guerra civil no Líbano, em particular no sul do país, é complexa, mas as imagens poderosas do filme traduzem-na em sua profundidade, em imagens de dura forma poética. Algumas das cenas e sequências são antológicas. Eu citaria ao menos as seguintes: o olhar de desespero ante a visão do orfanato destruído, a da prostração diante do ônibus incendiado, a frieza do franco-atirador e o desolamento diante da tortura final na prisão. É uma importante demonstração de como o cinema pode fazer poesia com a dura realidade de certos momentos da história.

O filme relaciona mais de uma dezena de situações históricas. Também tem por base um roteiro de teatro do libanês Wajdi Mouawad e a assistente de produção, Sarah Kaskas, libanesa sobrevivente de bombardeios em Beirute.

Pequenas lacunas podem ser apontadas, como a forma ingênua com que a garota parte para Líbano, ou a conversa que soa falsa entre ela e seu orientador matemático. O desfecho final também pode ser contestado, como se fosse obra de um demiurgo, neste caso sádico, da história.

A mesma guerra que separa, também une. A guerra separa e frustra muitos sonhos, mas em Incêndios, de uma forma mais dura que em “Retratos da Vida” (Lês uns, lês otres, de Claude Lelouch) também pode reunir. O final surpreendente pode decepcionar, pois acasos que até seriam possíveis na vida real, no cinema, podem parecer excessivamente clichês. Mas coroa uma história poderosa e bem contatada. Um tributo ao cinema narrativo.

Trailer

Ficha Técnica

Incêndios (Incendies, Canadá, 2010, 130 min). Diretor: Denis Villeneuve. Roteiro: Denis Villeneuve. Roteiro da obra teatral: Valérie Beaugrand-Champagne e Wajdi Mouawad. Direção de Fotografia: André Turpin. Produção: Kim McCraw, Luc Déry. Trilha Sonora: Grégoire Hetzel. Estúdio: micro_scope . Distribuidora: Imovision.

Elenco: Lubna Azabal (Nawal Marwan), Mélissa Désormeaux-Poulin (Jeanne Marwan), Maxim Gaudette (Simon Marwan), Rémy Girard (Notary Jean Lebel), Abdelghafour Elaaziz (Abou Tarek), Allen Altman (Notary Maddad).

Festivais & Premiações

Indicado ao Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro.

Sinopse

Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim) são irmãos gêmeos e acabaram de perder a mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal). Eles vão ao escritório do notário Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do testamento deixado por ela. No documento, Nawal pede que seja enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Ela deixa também dois envelopes, um a ser entregue ao pai dos gêmeos e outro para o irmão deles. Apenas após a entrega de ambos é que Jeanne e Simon receberão um envelope endereçado a eles e será possível colocar uma lápide. Só que Jeanne e Simon nada sabem sobre a existência de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. É o início de uma jornada em busca do passado da mãe, que os leva até a Palestina. [site AdoroCinema]

Irina Palm: uma versão sensível para uma clássica receita de dramalhão.

Por Marcos Cordiolli

Os melodramas são uma das âncoras da literatura e dos filmes. Um dos modelos típicos, repetidos inúmeras vezes, é o da uma mulher que tem um parente doente e a família não dispõe de recursos para o tratamento. Aparece então uma perspectiva de salvação, mas custa cara e talvez em um país distante. A mulher não tem crédito para empréstimo e nem qualificação para emprego. Entra em desespero diante dessa impotência e decide buscar remuneração de forma pouco ou nada recomendada moralmente: algum tipo de prostituição. Ela então sofre moralmente com as pessoas malvadas desses ambientes, geralmente, clandestinos. Também sempre aparecem vizinhas fofoqueiras e um parente que descobre a situação da mulher, elementos estes que introduzem mais tensão na história. Mas, ao final tudo fica bem. Além de conseguir dinheiro, ela também acaba encontrando um grande amor.

Este modelo convencional explorado ao extremo em filmes de cinema e TV teve uma versão, sensível e significativa, num filme belga, ambientado dramaturgicamente em Londres.

A vítima é o neto de Maggie, uma viúva cinquentona. Em busca de emprego, ela resolve se candidatar, ingenuamente, ao anúncio de atendente numa casa de prostituição no Soho, centro da cidade. Só que o tipo de atendimento é inusitado. Masturbar homens que colocam seus pênis através de um orifício (sic) numa parede e assim recebem o serviço sem ver a prestadora. Maggie teve um casamento regrado e possui apenas uma leve noção dos prazeres que os homens têm com o estimulo manual. O astuto dono da casa (Miki) percebe que ela tem uma qualidade que outras moças jovens e sensuais não têm: mãos macias. Miki, que em conformidade com o clichê é um imigrante do leste europeu, determina que uma de suas funcionárias mostre o trabalho para a novata. A moça – também afinada com o clichê – é uma mulher que apanhava do ex-marido e está nesta vida para manter o filho pequeno. Mas ela se mostra uma professora gentil e apoia a senhora em sua nova vida.

Inusitadamente, a vovó é eficiente. Homens fazem fila, ela se torna a estrela do lugar e seu nome artístico, Irina Palm, vira uma lenda na cidade. Trabalha tanto que fica doente com uma lesão de esforço repetitivo, denominada acertadamente “doença do pênis”. Desperta o interesse das casas concorrentes e provoca a demissão da amiga e “professora”, que ficou sem trabalho em virtude da preferência absoluta da freguesia por Irina.

Uma dramaticidade risível. O desempenho elegante de Marianne Faithfull garante credibilidade à personagem, mantendo sempre a aura de vovozinha recatada, seja quando, profissionalmente, atende aos clientes ou quando freqüenta um pub com a sua colega de trabalho. O ponto alto é o dialogo em que ela se autorreferencia como “vovó punheteira”.

A trilha musical composta por acordes pesados e pontuais garante a qualidade excepcional das cenas de passagem que separam os dois mundos de Maggie. Nessas cenas, Maggie parte para o trabalho de seu bucólico bairro residencial, sob o olhar de suspeição das vizinhas, rumo ao centro da cidade, um outro mundo complexo e estranho. Os acordes dissonantes de guitarra garantem a estas belas sequências uma atmosfera de terna e profunda melancolia.

As cenas de masturbação não-explícitas, de uma dramaticidade risível, são engenhosamente filmadas e montadas. A seqüência que mostra o prazer dos clientes recebendo o “serviço” de Irina é espetacular. Filmada ao alto e montada como um balé grotesco, é uma maneira elegante e refinada de traduzir o prazer masculino numa de suas formas mais automáticas e industrializadas.

Um filme belga que traduz a Europa. “Irina Palm” é um filme no mínimo curioso por mostrar o poder do cinema em refazer criativamente enredos banais e povoados de clichês. Mas também é mais do que isto, É uma ótima especulação sobre quais seriam os limites entre valores morais e a imposição da vida para a sobrevivência.

Talvez esse filme Belga, que conta com apoio de vários fundos públicos de financiamento cinematográfico da Europa Ocidental e Central, apresente-se como um poético chamado sobre a exploração sexual das belas, mas desesperadas, jovens que vêm da Europa Oriental (assim como da África e América Latina). As Irinas Palms que se espalham pela Europa são tão vizinhas e tão vítimas quanto as desesperadas vovós Maggie.

Uma última curiosidade: Marianne Faithfull é atriz, cantora e compositora. Como cantora, gravou e promoveu com sucesso As Tears Go By, em 1964, dos até então desconhecidos Mick Jagger e Keith Richards.

Sinopse: Maggie, viúva cinquentona, precisa arranjar dinheiro para o caro tratamento médico do neto, que tem uma doença grave. Vagando desesperada pelas ruas do Soho londrino, ela depara com um aviso na porta do clube privê Sexy World: “procura-se recepcionista”. Firme em seu propósito, Maggie se apresenta e ganha o posto. Com a ajuda da colega Luisa, ela rapidamente aprende as manhas da profissão, tornando-se a sedutora Irina Palm, a estrela mais lucrativa e procurada do clube. Mas sua vida dupla logo suscita a desconfiança do filho e as fofocas dos vizinhos (catálogo da 31a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo).

Ficha Técnica

Irina Palm (Irina Palm, Bélgica-Luxemburgo-Inglaterra-Alemanha-França, 2007, 103 min). Direção: Sam Garbarski. Roteiro: Sam Garbarski, Martin Herron e Philippe Blasband. Produção: Sébastien Delloye, Diana Elbaum e Georges van Brueghel. Música: Ghinzu. Direção de fotografia: Christophe Beaucarne. Direção de arte: Regine Constant, Véronique Sacrez e Karen Wakefield. Figurino: Anushia Nieradzik. Montagem: Ludo Troch. Estúdio: Ipso Facto / Pallas Film / Liaison Cinématographique / Entre Chien et Loup / Les Films du Plat Pays / Samsa Film S.a.r.l.

Elenco: Marianne Faithfull (Maggie “Irina Palm”), Miki Manojlovic (Mikky), Kevin Bishop (Tom), Siobhan Hewlett (Sarah), Dorka Gryllus (Luisa), Jenny Agutter (Jane), Corey Burke (Ollie), Meg Wynn Owen (Julia), Flip Webster (Edith).

Festivais e Premiação:

  • Festival de Berlim: indicação melhor filme.
  • Marianne Faithfull: European Film Awards indicação de melhor atriz.
  • Miki Manojlovic:  European Awards, indicação de melhor ator.

Trailer

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Chuva: O silêncio conveniente daqueles que somam em fugas

Por Marcos Cordiolli

Em Chuva (Lluvia, Argentina, 2008) Alma (Valeria Bertuccelli) está parada com seu carro devido a uma forte chuva que congestiona o trânsito de Buenos Aires. Enquanto espera, põe um bonsai pela janela para que tome um pouco de chuva – um cuidado doméstico, pois, como o filme nos mostrará, o automóvel tornou-se a sua casa. Em seguida, seu olhar se volta para o beijo apaixonado de um casal, e para um cachorro que sai pela janela de outro carro, retratos idílicos de uma vida doméstica recém-abandonada por ela.

A melancolia é rompida com a entrada repentina de um desconhecido, Roberto (Ernesto Alterio). Uma de suas mãos está sangrando e ele está aparentemente fugindo de perseguidores, os quais esbarram no veículo de Alma, sem descobri-lo a bordo.

Alma o reconhece como fugitivo e Roberto percebe, pelos objetos no carro, que ela não está apenas de passagem por aquela via. Acolhido solidariamente por Alma, ambos convivem em silêncio. O silêncio conveniente daqueles que somam em fugas.

Encontros silenciosos. O ambiente do início do filme nos remete vagamente ao realismo fantástico da literatura latino-americana, flertando com as linguagens de autores importantes do continente, em particular, do argentino Julio Cortázar. Linguagem esta da qual o cinema latino-americano é tributário, porém, ainda não constituiu obras significativas para estabelecê-lo como um gênero. Saiba mais

“O homem ao lado”: um ogro na vizinhança

Crítica de filme

Por Marcos Cordiolli

“O Homem ao Lado” (El Hombre de al Lado, Argentina, 2010) conta a história de Leonardo (Rafael Spreguelburd), um designer que mora na única casa projetada pelo arquiteto Le Corbusier no continente americano, já consagrada como ponto da rota turística de Buenos Aires.

Pautado pela soberba, Leonardo age de forma superior com os alunos e amigos e é compulsivo pelo detalhe, idealizando a organização de tudo que o cerca. Fragmentos desta maneira de ser aparecem na sequência em que examina o esboço de uma página de internet e está mais atento aos erros de ortografia do que ao formato; ou quando intima uma jovem estudante a dormir com ele… É o representante da idealização da elite refinada e glamourosa.

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Uma Canção de Amor: a solidariedade afetiva na diversidade cultural

Por Marcos Cordiolli

Uma Canção de Amor (Le chant des mariées, França/Tunísia, 2008) conta a história de duas adolescentes em idade de casamento, durante a ocupação nazista na Tunísia da Segunda Guerra Mundial. Nour (Olympe Borval) e Myriam (Lizzie Brocheré), ambas com 16 anos, são vizinhas num bairro de Tunis. Myriam é de família judia empobrecida. Nour, de cultura islâmica. O tema é bastante próximo de A Pequena Jerusalém (2005), primeiro longa-metragem da diretora, roteirista e atriz, Karin Albou, que abordou as tensões no relacionamento de pessoas de etnias diferentes, motivadas pelas divergências entre os desejos e os padrões de conduta religiosos.

Sensibilidade. Albou apontou o seu olhar para as representações sobre o corpo feminino e merece reconhecimento pela refinada sensibilidade com que o fez, em especial na primeira parte do filme. A solidariedade ativa de adolescentes quase-esposas, que supera conflitos fundados nas diferenças étnicas, políticas e religiosas, aparece na cumplicidade da troca de afetos com intimidade.

Para um observador ocidental, as cenas até poderiam suscitar erotismo, mas seguramente não é esse o objetivo. A nudez sutil e os carinhosos toques corporais expressam a solidariedade afetiva, vista com refinada sensibilidade e beleza, por exemplo, na seqüência em que as mulheres, num banho público, se acariciam com naturalidade (quase) familiar.

Essa solidariedade afetiva é construída como um porto seguro diante da intolerância das tradições culturais e das incertezas de um futuro fadado aos casamentos arranjados. O toque corporal não tem conotação sexual, e sim, expressa a intimidade de pessoas que se cuidam mutuamente em seus medos e inseguranças.

Mundos distintos. O filme é um manifesto-cenário de relações de profundo respeito mútuo e interação na diversidade das culturas islâmicas e judaicas nessa região da África. O contato das adolescentes representa a dimensão das relações fraternais e de convivência entre ambas as culturas naquele contexto. Saiba mais

Tony Manero: clichês grotescos em uma vida dantesca sob a ditadura de Pinochet.

Por Marcos Cordiolli

O Filme chileno Tony Manero (Tony Manero, Chile, 2008) é um exercício de humor dantesco com traços góticos. Raul, um pseudodançarino cinquentenário, torna-se obsessivo pelos passos de danças de Tony Manero, personagem de John Travolta em “Os Embalos de Sábado a Noite” (Saturday Night Fever, EUA, 1977). Apoiado na devoção de sua namorada, planeja montar uma apresentação, com imitação de sequências do filme, no restaurante da pensão em que moram.

Raul é apático ao resto do mundo, aos desejos da namorada, à proprietária da pensão, a quem atende aos desejos sexuais visivelmente a contragosto, e à situação política do país sob a ditadura de Pinochet. Ocupa as tardes nas salas de cinema gastando os seus parcos recursos para rever o filme de Travolta, observar a coreografia e decorar alguns diálogos. Também está emprenhado em montar o piso de vidro com iluminação inferior para reproduzir a sequência célebre do filme em sua apresentação. Alimenta silenciosamente a pretensão de participar de um popular programa de TV que vai escolher, justamente, o melhor imitador de Tony Manero. Saiba mais

Gigante: um “A Bela e a Fera” minimalista e sensível

Por Marcos Cordiolli

A paixão e o desejo estão relacionados ao acaso e ao improvável, como na mitologia da bela e a feraque permeia reincidentemente as artes ocidentais. Na sociedade moderna – com a proliferação de instrumentos de geração de imagem – as possibilidades de acasos são ampliados. Acasos em maior quantidade estão à nossa disposição, embora os alvos-desejos possam ser mais etéreos, distantes e – até mesmo – incomunicáveis.

Em o Gigante, um segurança passa as noites acompanhando pelo monitor do sistema de vigilância eletrônico – solitariamente – os funcionários da limpeza e da manutenção de um supermercado. A solidão da noite se mantém durante o dia passado lentamente em casa e, quando muito, na companhia do sobrinho pré-adolescente. O tempo transcorre arrastado, exceto nos ouvidos, constantemente com fones ligados ao aparelho de som que toca músicas de rock hardcore. A fera segue o seu caminho solitário e (quase) invisível ao mundo.

A bela diante da fera. Uma noite ao acaso, uma bela atravessa o seu olhar. A fera faz-se prisioneiro da bela e passa a seguir compulsivamente os seus passos. A bela, na forma de uma faxineira, responde ao modelo mitológico. Em tudo parece distinta dele… A graciosidade em seus movimentos, o corpo franzino e a elegância casual aparecem em oposição ao corpo robusto, aos movimentos desajeitados e às surradas roupas triviais.

A condução do filme utiliza então recursos preciosos da linguagem cinematográfica. Enquanto a bela é acompanhada em sua graça, leveza, aparente inocência e etérea beleza (como devem ser todas as paixões idealizadas), ele, a fera, expõe a cada sequência uma nova fragilidade. Por um lado, é explosivo quando provocado ou acuado, e tempestivamente usa força (seja com o motorista de táxi deselegante, na defesa do suposto amante da moça e até numa explosão de cólera quando vê a sua amada em perigo). Por outro lado, mostra-se doce (com o sobrinho), solidário e com uma ética peculiar (com outra faxineira flagrada em roubo). Ele, ainda, é frágil sentimentalmente e demonstra uma forma de amor cortês, quase sagrado e, por isso, casto, inclusive prescindindo de sexualidade. O detalhe mais carnal de sua admiração pela moça está em observá-la passar o batom, mas num gesto mais de cuidado de si do que de sedução. Ele, seguramente, ama mais o amor que sente do que a própria moça que ama.

Amando um objeto perfeito. O padrão desta versão contemporânea de a bela e a fera não está no amor impossível. Ela, por ser o objeto perfeito, não ama outro (e o outro, quando aparece, está mais próximo de outra fera do que de qualquer padrão principesco). Ela simplesmente desfila perante os olhos dele, como em sonho. Claro, ele, a fera, desenvolve uma paixão obsessiva e passa a seguir a moça por todos os lados.

Aqui ficamos sem saber se a bela é apenas a imaginação da fera, ou então o diretor errou na mão ao desenhar a personagem com gosto refinado, um tanto distante da imagem que muitos de nós fazemos das faxineiras. Não que faxineiras não possam ser refinadas, mas esta tem uma elegância peculiar, que decorre também de um estilo de vida complexo, o qual se reflete no uso de lan house, na forma como examina as vitrines de moda feminina e, até mesmo, em seus hábitos solitários na praia. Talvez, o diretor tenha traduzido na tela o olhar desejoso da fera.

Uma condução hiperbólica. O filme é conduzido hiperbolicamente, acompanhando a fera em busca da bela. É notável a capacidade do diretor em manter o clima numa película assumidamente minimalista, com poucos diálogos e reduzidos cenários. O filme em si é composto fundamentalmente das expressões faciais do homem. Prescinde de diálogo, mas nem por isso é monótono. Repetem-se cenários e situações similares, mas o espectador permanece com a mesma pergunta “aonde a fera vai ser levada por esse desejo?”

Uma enquete, se pudesse ser realizada neste momento, talvez mostrasse que as apostas se dividiriam entre a tragédia e a felicidade. Percebe-se, então, que o silêncio é a grande metáfora. Pois todo amor de uma fera solitária é sempre calado e secreto, só que no cinema tem um cúmplice: o espectador. Assim, é como todos os desejos secretos e clandestinos do espectador, que também se pergunta para onde vai ser levado por esses sentimentos. Talvez esta seja a magia do filme: ele é um espelho para muitos.

Trailer

Sinopse

Jara (Horacio Camandule) é um tímido segurança de supermercado, que descobre Julia (Leonor Svarcas) pelas câmeras de vigilância. Ela trabalha como faxineira no local e passa a ser acompanhada por Jara. Apaixonado por ela, o segurança passa a conduzir sua vida em torno da rotina de Julia e seu desejo em conhecê-la.

Ficha Técnica

Gigante (Gigante, Uruguai, 2009, 90 minutos). Diretor: Adrián Biniez. Roteirista: Adrián Biniez. Diretor de fotografia: Araudo Hernández Holz. Diretor de arte: Alejandro Castiglioni. Música: Adrián Biniez. Montagem: Fernando Epstein. Som: Daniel Yafalián. Produtor executivo: Augustina Chiarino, Fernando Epstein. Empresa produtora: Ctrl Z Films. Em coprodução: Rizoma Films (Argentina) / Pandora Films (Alemanha) / IDTV (Holanda). Distribuição nacional: Imovision.

Elenco

Horacio Camandule, Leonor Svarcas, Fernando Alonso, Diego Artucio, Fabiana Charlo, Ariel Caldarelli, Andrés Gallo, Federico Garcia, Nestor Guzzini, Esteban Lago, Ernesto Liotti.

Mostras e Premiações

  • 59º Festival de Berlim. 2009.
    • Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri)
    • Prêmio de Obra estreante
    • Prêmio Alfred Bauer (de inovação cinematográfica)
  • Festival de Gramado. 2009. Prêmio da Crítica.
Outras Publicações:

Pau Brasil: felicidade e a intolerância como vizinhos

Por Marcos Cordiolli

No interior da Nordeste, em Pau Brasil, vive um casal feliz! É um Brasil de sertanejos, que o imaginário literário brasileiro aprendeu a ver como fortes pela capacidade de resiliência. É também uma felicidade ancorada no imaginário literário, o de Jorge Amado e suas mulheres matronas e fogosas. Nessa família, o marido provê tudo o que a esposa precisa, inclusive a liberdade para ter os homens que desejar. A esposa feliz e com inumeráveis amantes cuida com extremado carinho do filho e do marido. Essa ponte entre imaginários literários seria por si só uma grande virtude do filme Pau Brasil, o primeiro longa-metragem de Fernando Belens. Mas o filme vai além.

A felicidade do casal é angelical e assim é reiteradas vezes retratada ao longo do filme, tanto pelo marido como pela esposa. O marido em constantes demonstrações de afeto pela esposa, pelo filho, pela menina abandonada e pelo amigo que recolheu generosamente em sua casa… A esposa é generosa com as vizinhas, com o filho e até mesmo no tratamento afetivo com os amantes. É protagonista de uma seqüência muito poética, quando demonstra imensa generosidade ao conversar sobre a beleza do corpo feminino com as vizinhas adolescentes.

A felicidade como clichê. A felicidade do casal de Pau Brasil é um clichê. E todo clichê tem uma como contraparte, que neste filme é a intolerância. O casal feliz não percebe que o filho é vitima da pressão social provocada pela questionada moralidade da mãe. E tendo dificuldade para compreender o que é efetivamente a sua família, vive uma taciturna mudez. A felicidade parece sempre ter o seu preço traduzido em infelicidades e neste caso a conta está sendo paga pelo menino.

A intolerância, como clichê, vem do vizinho, autoimposto como uma espécie de guardião moral da comunidade. Regularmente, professa discursos inflamados de intolerância condenatória à família de felizes vizinhos. Mau e infeliz, ele verbalizar o ódio contido aos seus próprios – reprimidos e reprováveis – desejos. Ou então o ódio contra si mesmo, pela incapacidade de realizar as suas tentações. Com os olhos vidrados e enquanto rotineiramente esbraveja o seu ódio, mostra a insegurança daquele que em tudo vê pecado e, em nome da suposta moral, atira a primeira pedra… Mas não sabe que o objeto de sua intolerância está rondando a sua própria casa. E numa pequena narrativa paralela, as duas filhas do vizinho intolerante oscilam entre os seus contrapostos desejos – o carnal de uma e o celibato de outra.

Esse mote que compõe a base narrativa, apesar de insólito, é uma composição de clichês: o casal bom e feliz tem como antípoda um vizinho mau e infeliz que deseja intolerantemente e a todo custo destruir a felicidade alheia. Mas a narrativa de Pau Brasil conduz um conjunto de personagens consistentes numa trama dramática bem articulada que converte clichês em arquétipos universais. Essa é uma das forças peculiares do filme. O clichê de uma felicidade insólita de pessoas aparentemente sem mágoas, sem maldades e sem amarras morais, ordena – também – o seu clichê oposto. Por isso, talvez, o clichê funcione também ao expressar desejos humanos tanto para si como para o outro. Efetivamente, o cinema deve tributos ao clichê. E a humanidade, com seus demônios e fantasmas, ao cinema, por revelá-los tão profundamente.

Um passeio pelo tão próximo e tão distante. O desenrolar da narrativa traz outros elementos muito marcados da cultura nordestina: o colégio de freiras (limpo e ordenado no meio do sertão); as alegres brincadeiras de rua; o empório de secos e molhados; os clientes com tempo para uma conversa e que podem rapidamente produzir uma contenda de trágico desfecho; as relações sexuais clandestinas no cemitério; as convivências de vizinhança… Enfim, um passeio por um nordeste tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. (Um parêntese: os baianos, por sua sólida identidade cultural, não precisam promovê-la constantemente como nós de outras regiões do Brasil. E talvez por isso sejam universais ao cantar sua aldeia – “canta tua aldeia” -, assim como dizia Techov).

Um toque especial do filme é o personagem quase metafísico, inspirado nas tradições africanas, que salta pela narrativa, com toques de realismo fantástico, funcionando com um alter-ego coletivo, compondo ainda mais fortemente o quadro de baianidade do filme.

A produção competente faz jus à proposta estética com identidade cinematográfica eficaz. Vale ressaltar a competente montagem que garante o ritmo adequado para a complexa temporalidade da narrativa. O filme é também uma espécie de catálogo de atores baianos: um desfile de ótimos atores mesmo que em papéis de pouca exposição na tela.

Pau Brasil é um eficiente – e belo – exemplar de cinema brasileiro produzido na Bahia, como afirmou Belens no lançamento do filme. E um ótimo candidato a ser tornar um filme cult, com todos os méritos.

Sinopse

Em Pau Brasil, um pequeno e perdido povoado no coração do Brasil, as famílias de Joaquim e Nives moram lado a lado. Apesar de conviverem com a mesma estrutura perversa de opressão social, lidam com a vida de modo radicalmente diferente.  A intolerância com o outro e a pobreza são os ingredientes desse drama trágico, onde cada personagem carrega suas contradições, coexistindo com mitos clássicos e afro-brasileiros. [Sinopse oficial]

Ficha técnica

Pau Brasil (Brasil / Alemanha, 2009, 35 mm, ) Produção: Direção: Fernando Belens. Roteiro: Fernando Belens e Dinorah do Valle. Montagem: André Bendocchi-Alves. Som: Nicolas Hallet. Fotografia: Hamilton Oliveira. Trilha Sonora: Bira Reis. Direção de Arte: Moacyr Gramacho. Produção Executiva: Luciano Floquet e Sylvia Abreu. Produção: Sylvia Abreu e Pola Ribeiro.

Direção: Fernando Belens. Roteiro: Fernando Belens e Dinorath Do Valle. Produção executiva: Luciano Floquet e Sylvia Abreu. Diretor assistente: Adler Paz. Direção de produção: Taissa Grisi. Direção de platô: Macarra Viana. Direção de elenco: Laura Bezerra. Produção de elenco: Elson Rosário. Direção de fotografia: Hamilton Oliveira. Direção de arte e figurino: Moacyr Gramacho. Montagem: Andre Bendocchi Alves. Música original: Bira Reis. Som direto: Nicolas Hallet. Edição de som: Andre Bendocchi Alves e João da Costa Pinto. Mixagem: Andre Bendocchi Alves.

Produção: Truque Produtora de Cinema e Stúdio Brasil. Co-Produção: 40o Filmproduktion. Produção Associada: Quanta e Teleimage. Produzido por: Sylvia Abreu e Pola Ribeiro. Co-produzido por: Andre Bendocchi-Alves e Claudia Enzmann.

Filme realizado com recurso de edital patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia.

O filme é Baseado em livro homônimo de Dinorah do Valle, premiado em concurso cubano da Casa de las Américas.

Elenco

Bertrand Duarte, Osvaldo Mil, Fernanda Paquelet, Arany Santana, Agnaldo Lopes, Ari Barata, Bira Freitas, Carlos Betão, Daniel Oliva, Edlo Mendes, Ednéas Santos, Edvard Passos, Fafá Pimentel, Fernanda Belling, Frieda Gutman, Humberto Dias, Irema Santos, Lúcio Tranchesi, Milena Flick, Psit Mota, Rita Brandi, Wilson Mello. Participação especial: Narcival Rubens, Ornellas Filho, Rita Assemany. Elenco infanto-juvenil:
Felipe Calicote, Tairine Ramos.

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