Uma fotografia e diversas memórias.

Publiquei nas redes virtuais uma fotografia com foco nas placas informativas da esquina entre as Ruas da Relação e dos Inválidos no centro do Rio de Janeiro. Fiz uma sugestão alegórica aos “gostam de discutir a relação” de que estes teriam um lugar apropriado para estes “eventos” e sugeria a esquina com a rua do Inválidos – outra alegoria – como que sugerindo a esterilidade destas discussões… A foto também enquadra, em parte, o novo – e moderno – edifício da Petrobras e a antiga sede do DOPS que será convertido em museu da Polícia Civil. Por isso, fiz outra alegoria, sugerindo – em comentários nas redes virtuais – que representariam os contextos das discussões de relações: a suposta modernidade ancorada na tradição e no conservadorismo destas situações.

Roberta Barreto disse-me que esta já era uma alegoria antiga no Rio de Janeiro e percebi que mais gente pensava – e brincava com a situação – como eu.

No entanto, um grande amigo, carioca, mas radicado no Paraná, o Jorge Damasceno fez uma importante observação. Este militante histórico do PCB, e uma das referências para militantes de esquerda, inicialmente perguntou-me sobre o prédio ao fundo da foto. Quando informei, ele, imediatamente, comunicou-me que edifício revolvia as suas memórias de um tempo que desejaria esquecer:

“Cara! A foto me remete à um tempo que procuro, sempre, ignorar. O estilo, a fachada curva com uma porta de ferro na entrada é sinistro demais. Além, é claro, do muito que aconteceu em suas dependências. Tô fora!”

Então ao responder, prestei-lhe uma pequena, porém insuficiente homenagem:

“Perdoe-me general Jorge Damasceno por retomar estas memórias ruins. Foi um tempo difícil, eu sei. Então, eu quero fazer desta foto uma homenagem a todos que – como você – lutaram contra a ditadura e sofreram os ataques destes inimigos do povo, da liberdade, do humanismo e do progresso humano. Tomemos o prédio como representação não da dor, mas da memória daqueles que resistiram e venceram. Em particular daqueles que – como você – continuam na luta pelo socialismo e seguem sendo, referências, para aqueles, que – como eu – não viveram este tempo. Afinal continuamos na luta, enquanto o DOPS vai ser convertido em museu, e os torturadores, espero, sejam denunciados pela comissão da verdade e punidos, na forma da lei, que tanto desrespeitaram”.

Foto: Marcos Cordiolli

A Rua da Relação (Lapa/RJ), que por uma destas ironias da geografia faz esquina com a Rua do Inválidos. Em frente do antigo prédio do DOPS, que deverá abrigar o museu da Políicia Cívil.

Foto de Marcos Cordiolli com aprelho de telefone celular Samsung Galaxy. Centro do Rio. Em 13 de agosto de 2010.

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