A vida de caminhoneiro de Laurindo Cordiolli, meu pai. Em artigo de Vinicius Carvalho, publicado em O Diário do Norte do Paraná (10/05/2001).
Laurindo começou fazendo pequenos fretes na região de Maringá com um caminhão. Hoje, a empresa tem mais de cem veículos e é tocada com ajuda dos filhos e do neto
O dia de Santo Antônio em 1957 vai ficar para sempre na memória de Laurindo Cordiolli, hoje com 73 anos. “Foi em 13 de junho daquele ano que eu tirei minha habilitação e comecei a dirigir caminhão em Maringá”, conta Laurindo, fundador de uma das maiores transportadoras do município.
Ele deixou a fazenda de café da família, na Estrada Guaiapó, e se embrenhou pelas estradas de chão do Brasil. “Certa vez, saí de Maringá às 4 da manhã de uma segunda-feira, rumo a Doutor Camargo, a 40 km”, lembra. Uma forte chuva complicou a viagem. “Chegamos a Camargo às 5 da tarde de sábado”, diz Laurindo.
Poeira e barro. Essa é a descrição que Laurindo dá para as estradas brasileiras na época em que começou a transportar carga a partir de Maringá. Ele transportava café, adubo, arroz, pedra e madeira, mercadorias que ajudaram a construir o Paraná.
Nos anos 70, o boom da soja aumentou o número de fretes e, com dois caminhões próprios, fundou a Transportadora Cordiolli. Quando entrou para o G10, em 2000, já contava com 14 caminhões. Atualmente, a frota é de 100 veículos.
Três gerações da família trabalham na empresa. Os filhos Roberto, 46 anos, Sérgio, 40, e Fernando, 37, dividem-se entre os Departamentos Financeiro, Administrativo e Logístico. Há dois anos, Guilherme Cordiolli, 18 anos e filho de Roberto, trabalha na empresa. “Meu maior estímulo é saber que meu avô começou isso”, comenta Guilherme, acadêmico de Administração de Empresas.
Entreposto
Como é comum nas histórias de cidades do interior, foi o trem que definiu parte das atividades do lugar. “Por ser o fim da linha ferroviária, Maringá se tornou um entreposto importante”, analisa o presidente do G10, Cláudio Adamucho. Produtores rurais de outros Estados, como os do Centro-oeste, precisavam alcançar o ramal ferroviário em Maringá para escoar a produção para Paranaguá.
No ramo há 20 anos, ele apresenta alguns dados sobre a evolução recente do setor. O G10 foi criado em 2000, com a associação de dez empresas transportadoras. A frota do grupo era de 126 veículos.
“Hoje, passa de mil”, revela Adamucho. Atualmente, o G10 é formado por cinco empresas, todas com sede em Maringá: Transpanorama, Transfalleiro, Cordiolli Transportes, Rodofaixa e VHM Transportes.
Em 2006, com a aprovação de uma lei federal que permitiu a atuação de empresas multinacionais no mercado, o investimento cresceu e a frota se modernizou. Atualmente, a cidade conta com 42.500 veículos de carga, atuando especialmente no transporte de cargas agrícolas, cargas frigoríficas, malote e transporte de passageiros.
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